Andamos a brincar às barbies

Passou mais um Dia da Mulher a 8 de Março... e o que vemos nos telejornais?! Barbies...... parece que a barbie faz 50 anos.... mas o que é que isto poderá ter a ver com as Mulheres... parece que tudo.... continuam a insistir em manipular as nossas articulações, a dizer que só podemos namorar com o Ken (sim, porque ele é gajo apesar de não ter tintins, ou será que.....), temos sempre de manter um sorriso plastificado mesmo que tenhamos trabalhado 10 horas e apesar de nos apetecer chegar a casa e esparramarmo-nos no sofá... não, o que vamos fazer? arrumar a casa porque o imbecil que está de perna sobre o mesa da sala não se dá a esses trabalhos e se a barbie sugerir algo leva um bofetão.
Felizes vivemos nas nossas casas cor-de-rosa... acorrentadas a um ciclo de preconceitos e passividade...

A desigualdade social nem sempre fez parte da humanidade

"Os lugares-comuns com que nos enchem os ouvidos, segundo os quais a desigualdade social teria as suas raízes na desigualdade de aptidão ou de capacidade dos indivíduos, que a divisão da sociedade em classes seria o produto do «egoísmo inato dos ser humano» e, portanto, da «natureza humana», não possuem qualquer base científica. A opressão de uma classe social por outra não é produto da «natureza humana» mas sim o de determinada evolução histórica da sociedade. Essa divisão não existiu sempre, nem existirá sempre. Não existiram sempre ricos e pobres, nem existirão para sempre».

"Assim vários antropólogos falam-nos dum hábito que se encontra entre numerosos povos primitivos, hábito que consiste em organizar festas de abundância, após as colheitas. A antropóloga Margaret Mead descreveu-nos estas festas entre o povo paua dos Arapech (Nova-Guiné). Todos os que tenham feito uma colheita acima da média, convidavam toda a sua familia e todos os seus vizinhos, e as festividades prosseguem até que a maior parte desse excedente tenha desaparecido. Margaret Mead acrescenta: «Estas festas representavam uma medida adequada para impedir que um indivíduo acumule riquezas...».
O antropólogo Asch estudou os costumes e o sistema duma tribo existente no sul do Estados Unidos, a tribo dos Hopi. Nesta tribo, contrariamente à nossa sociedade, o princípio da competição individual é considerado como condenável do ponto de vista moral. Quando as crianças Hopi jogam ou praticam desportos, não contam nunca os pontos e ignoram o vencedor.
Quando as comunidades primitivas, que não se encontram ainda divididas em classes, praticam a agricultura como actividade aconómica principal e ocupam um determinado terreno, não organizam a exploração colectiva do solo. Cada família recebe uma área em usufruto por um certo período. Mas esses campos são redistribuidos frequentemente, para evitar favorecer este ou aquele membro da comunidade em detrimento dos outros. Os prados os bosques são explorados em comum. Este sistema de comunidade rural, baseado na ausência de propriedade privada do solo, foi encontrado na origem da agricultura entre quase todos os povos do mundo(...)".

Ernest Mandel, Introdução ao Marxismo, pág. 15,16Justificar completamente

Desigualdade de classe

"A desigualdade de classe é uma desigualdade que tem as suas raízes na estrutura e no desenvolvimento normal da vida económica, e que é mantida e acentuada pelas principais instituições sociais e jurídicas da época".

"O salariato, que é uma das características da estrutura da economia capitalista, representa assim uma das raízes da divisão da sociedade capitalista em duas classes fundamentalmente diferentes: a classe operária, que através dos seus rendimentos não pode nunca tornar-se proprietária dos meios de produção, e a classe dos proprietária dos meios de produção, e a classe dos proprietários dos meios de produção, os capitalistas".

"As instituições sociais impedem pois aos operários o acesso à propriedade capitalista, quer pelos rendimentos quer pelo modo de ensino superior. Assim mantêm, conservam e perpetuam a divisão da sociedade em classes tal como hoje existem".

Ernest Mandel, Introdução ao Marxismo
 
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