Teatrocracia: O Grande Ângulo (3)

"O espaço mediático é o grande palco onde se situam todas as cenas da vida, colectiva, ele compõe-as e reflecte-as. É banal encontrar a razão na dominação que o audiovisual exerce sobre as sociedades da modernidade conquistadora. O mundo tornou-se um sistema panóptico, tudo tende a ser visto e todos podem ser voyeurs".

"A imagética entra agora numa economia da mentira e da verdade mais retorcida. Torna cada vez menos discernível aquilo que pertence à realidade e aquilo que é o produto resultante das suas montagens e simulações".

"O que está em causa é o enfraquecimento do político pelo mediático: há pouco o poder ocupava sem discrição o espaço da televisão, hoje, esta invade os domínios do poder. O abuso mudou de campo, os homens políticos inclinam-se às exigências da comunicação audiovisual, eles dependem dos novos poderosos - jornalistas, vedetas e comunicadores - que ela gerou".

"É preciso acomodar-se às obrigações impostas pelos profissionais de comunicação: adquirir o discurso eficaz, ao preço do sacrificio das ideias; dizer seduzindo, em vez de incorrer no risco das verdades impopulares".

Balandier, O Poder em Cena

Teatrocracia: O Écran (2)

"A multiplicação e a difusão dos media modernos modificaram profundamente o modo de produção das imagens políticas. Podem ser fabricadas em grande número, por ocasião de acontecimentos ou circunstâncias que não têm necessariamente um carácter excepcional. Adquirem, graças aos meios audiovisuais,à imprensa ilustrada e ao reclame, uma força de irrupção e uma presença que não se encontra em nenhuma das sociedades do passado. Tornam-se diárias; quer dizer, que elas se vulgarizam e se usam, o que obriga a frequentes renovações ou à criação de aparências de novidade".

"As técnicas audio-visuais de que dispõe, permitem uma dramatização constante ou quase, e assim menos dependente do ciclo anual do cerimonial político. Melhor equipados para produzir imagens, os governos encontram-se todavia na situação paradoxal de ver esta capacidade enfraquecer pelo seu próprio uso. Têm de aprender a dominar uma nova tecnologia do simbólico e do imaginário, uma nova forma da dramaturgia política". Balandier

Teatrocracia: "O Drama" (1)

Já Maquiavel havia referido a importância em aproximar a arte de governar da arte do palco. Da importância do político como actor que constroi imagens, que produz aparências conforme o que os "súbditos" esperam dele.
Para se fazer ou manter o poder "Não se poderia governar desnudando o poder e a sociedade numa transparência reveladora". (Balandier)
Os actores que detêm o poder deverão assim dominar a arte da persuasão, pois não é pela violência nem pela justificação racional que o poder se mantêm mas sim pela produção da imagem, produção de aparências, manipulação de símbolos.
Actualmente as novas técnicas dos media, da propaganda e das sondagens políticas ajudam a aumentar a dramaturgia democrática, o "estado espectáculo". E assim "os governantes enfeitam a sua mediocridade" e subordinam através da teatralidade.
 
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